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Fórum

  Pela extinção do Dicrocoelium Dendriticum
Fórum de Comunicação debate as mudanças editoriais em jornais

Uma oportunidade de discutir comunicação e responsabilidade social. Essa é a proposta do Fórum Comunicação: A responsabilidade de construir um mundo melhor, que neste último sábado (23) apresentou como tema “Mudanças editoriais em jornais: Reflexões sobre responsabilidade social e formação de estudantes” e contou com um público de 39 pessoas entre estudantes universitários, profissionais de comunicação e pessoas interessadas na causa.

Rogério Galindo, editor de Vida e Cidadania do jornal Gazeta do Povo e Victor Folkening, professor de comunicação da Faculdades Integradas do Brasil (Unibrasil), foram os debatedores, enquanto Tomás Barreiros, professor de jornalismo da Universidade Positivo teve o papel de mediador e abriu o Fórum ressaltando a importância de um debate sobre o assunto: “Uma discussão como esta proposta pelo Fórum, serve não apenas para verificar como foi o processo de mudanças dentro de uma redação. Entender mudanças gráficas e editoriais como vêm acontecendo com diversos jornais paranaenses, exige um leitor com um novo olhar, um leitor aberto a mudanças. Exige também uma empresa jornalística que perceba a relevância de seu papel social e trabalhe para isso e necessita também de um profissional aberto a essas realizações, um profissional que experimente e que possa contribuir com esse processo, como leitor e como profissional”.

Depois seguindo o formato do Fórum Comunicação que é de 30 minutos para cada debatedor e mais 30 minutos aberto aos questionamentos do público, passou a palavra aos debatedores.

Rogério Galindo, editor de Vida e Cidadania do jornal Gazeta do Povo apresentou as razões para o jornal ter mudado a sua linha editorial e o seu planejamento gráfico. Galindo mostrou que, não apenas a Gazeta do Povo mudou o seu padrão, mas vários jornais do estado passaram por essa reformulação, entre eles o jornal Folha de Londrina, O Estado do Paraná e a Tribuna do Paraná. Rogério, que se define como um teimoso em querer trabalhar em um jornal diário, acredita que, se a Gazeta do Povo continuasse da mesma forma que estava seria impossível chegar ao seu centésimo ano. Para Galindo a idéia principal do jornal, que atualmente está com 90 anos, é a de que “para se fazer um jornal melhor, não precisa ter uma mulher pelada na capa”. O editor citou muitos casos de matérias que tinham um aprofundamento crítico ou de denúncias que repercutiram socialmente: “mudar a vida da cidade. É isso. Isso é realmente responsável”.

Dicrocoelium Dendriticum. Segundo Victor Folkening esse é o nome do parasita que se reproduz no intestino da ovelha e do gato, e pode ser uma das razões para que muitas pessoas repitam comportamentos exaustivamente e sejam alheios a mudanças. Afetando os seres, esse parasita seria responsável pela formigas subirem em uma flor, caírem e tentarem sempre subir de novo, responsável pelos ratos desafiarem os gatos, e responsável por nos mantermos inertes aos estereótipos definidos pela sociedade. "Não ler a revista Veja, por julgar que ela é uma revista de direita, ou não perceber mudanças que vêem acontecendo no jornalismo mundial, que atendem cada vez mais aos interesses dos cidadãos, é uma maneira de manifestação do Dicrocoelium Dendriticum", explica o professor Victor.

Para o professor Tomás Barreiros, “a escola é o campo de cultura do Dicrocoelium Dendriticum, saímos de lá com a cabeça cheia de Dicrocoelium Dendriticum”. Esse tal parasita também seria o agente que nos faria ter uma visão parcial dos fatos, questão discutida durante o Fórum e unânime entre os debatedores.

O mito da imparcialidade, anunciado e defendido por muitas empresas jornalísticas é outro exemplo da atuação do parasita Dicrocoelium Dendriticum. Segundo Victor, o jornalismo tem um papel de suporte na sociedade e tem a obrigação de informar com clareza, libertando-se do parasita. “Acredito que as grandes empresas deveriam colocar na primeira página dos jornais com letras grandes ‘Nós apoiamos tal partido e acreditamos que tal pessoa seja o melhor’” complementa.

Para Rogério Galindo, o leitor tem um importante papel na comunicação. Segundo ele, o retorno do leitor é muito baixo, principalmente com relação às matérias mais críticas, no entanto, as matérias sobre animais de estimação recebem grande retorno. “A gente fez a nossa parte. E os leitores fizeram o que?”. Rogério clama para a participação da população: “Informem. Opinem. Façam alguma coisa, por favor”.

As frases de Galindo deixaram os participantes do Fórum em silêncio completo. “Esse silêncio ainda me dá alguma esperança”, finaliza Galindo.